Fora somente a carne e o osso de uma personalidade
Que tão cegamente vislumbrando um conhecimento jamais abdicatório,
O sabia interpretar com incessante tranquilidade…
Dias e dias em que a manhã cedo raiava
E em que o Sol penetrando nas lamúrias ocultas dos estores
Uma mente silenciosamente adormecida, acordava,
Entre um espreguiçar e um bocejar, se semeavam suores.
Cruzando letras e números, muitos caminhos se ergueram.
A verdadeira sabedoria concretiza-se no desbravar desse labirinto
Cujos dons eruditos me permitem sentir como permaneceram
Estas cinzas de Mim que ainda hoje sussurram que não minto.
De olhos abertos ou fechados, é caminhando que se sobrevive.
Não importa como vejo, mas sim o que consigo ver:
A família sempre presente mesmo quando algum declive
Ousa estender-se nesta estrada onde o tudo que procuro é viver.
Tudo começa por ocupar uma página branca e lisa.
Lucidamente, vou construindo essas linhas que dotam de sentido
Os livros cujas palavras se emaranham na história que atiça
Os sedentos pensamentos deste meu cérebro acendido.
Dediquei-me aos livros e a eles constantemente me dedico,
A mente nem sempre basta para alcançar o pico,
Pois aquilo que nos resta é saber ler.
A vida não é mais que um livro com certas páginas que não entendo
E que timidamente se amontoam, tornando-se algumas mais pretas,
Condensando em si a tenacidade de uma existência de que não me arrependo
E da qual me orgulho e vejo, sem pestanejar, que fui Eu a escolher as letras.
Sejamos sinceros para com os nossos puros e doces sentidos.
A vida está no céu, no Homem e nos carnívoros
Que vêem a erva crescer na terra, soltando seus últimos ganidos.






