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domingo, 23 de agosto de 2009

Noite, sonho e tudo o mais


É noite e o sono não surge.
Esconde-se, teimando em escapar…
Por agora em mim apenas urge
O Sonho em sonhos alimentar!

Não que seja nítido para mim,
Nem tão pouco simples de compreender
Que a secreta voz me segrede assim…
Como se fosse simples viver!

(Olho o profundo silêncio que é o pensar.
E pergunto-me como se me desconhecesse…)

Do que me valerá afinal
Afastar a sombra da ilusão
Quando os meus pensamentos
A meia haste estão?

Não a meia haste de luto, ora essa!
Mas sim a meia altura.
Aquela que me grita para descer à Terra
Enquanto fito o céu da Ternura!

Doravante, por ti, oh vida!
Que farei para te dotar de sentido?
Agarro a felicidade proibida?
Ou morro só e arrependido?


Aspiro as respostas...
Essas que mantêm viva a esperança.

23/08/09

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Poesia, amor e bem-querer...

Posso amar com o pensamento
Ofertar minha emoção
Entreabertas estão as portas do tempo
Sozinho me encontro na escuridão
Indiferente a este desalento
A mando de todo o coração

Estou agora intrigado

Tento escrever e não consigo
Um vento longo e desanimado
Doravante anda comigo
Odioso fico eu

Ontem ninguém nada me disse

Quanto tempo já decorreu...
Uma vez apaixonado
Estremeço e anseio transtornado

S
e essa pessoa sou eu
Eis que espontaneamente me encontro

Acompanhado de oásis deserto
Muito mais vivo e resplandecente
Agora se demonstra e está mais perto

Caminho nestes passos raros
Horas passam devagar
Olham para mim breves momentos
Raramente revelam eventos
Anunciando que o amor anda no ar

Sinto-me de novo atormentado
E algo mais forte do que eu
Não consigo agora manter calados
Todo o espírito, todos os fados
E toda a música que me envolveu

Entoo agora este som

Que me faz chorar e sorrir
Uma melodia e o seu tom
Estão na minha alma a florir

Nunca deixo de sentir
A sensação de estar refém
Ou cativo do amor, de mim e de mais ninguém!

Sóbrio de bem-querer me sinto
E prisioneiro do poema e de alguém

Visto que o amor é o sentimento mais bonito
E o mais cruel e vingativo também...

Captaram a mensagem subliminar? ...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Esfera Transparente - IX



O pouco que me falta


Sei que um pouco é mais que nada
E que algum é mais que um pouco,
Mas será este pouco de nada
O que me falta para não ser louco?


Ou será este pouco de nada
O mísero pedaço de vida
Que me falta na caminhada

Ao céu da felicidade inatingida?

Sei que o céu é muito mais
Que o pouco que me falta.
Mas será esse céu um dos tais
Que nos leva à ribalta?

Ou será o pouco de nada
Afinal um muito de pouco
Que tornará adoçada
Esta minha cabeça de coco?

Sei que o pouco que não tenho
O tudo para mim significa.
Mas bastará simples engenho
Para vencer sua genica?

Ou estará na conquista
De incerta deusa peralta
Aquilo que me dista
Deste pouco que me falta?



20/02/09

sábado, 13 de dezembro de 2008

Eu, Camões, Portugal e as Gentes

Ok. Primeiro que tudo, gostaria de me apresentar minimamente, tal e qual como um bom impressionista deve fazer. Sou portanto Pedro II, o nato impressionista...
Sou novo aqui, mas vim para ficar e prometo deliciar-vos com "updates" impressionistas de qualidade 7 estrelas tipo Burj al Arab Hotel!

Como primeira mensagem importante, gostaria de vos deixar aqui a reflectir um bocadinho sobre o país em que vivemos...
E tudo isto a partir de quê? Sim! De uma versão simplex dos Lusíadas modernos. Trata-se então de uma divagação que poderia ter sido feita por qualquer outro Português que se preocupe minimamente com o estado do país, isto é, um fragmento quase objectivamente nulo.

Metacognitivamente, torna-se visível que a nível semântico e poético, a dimensão dos Lusíadas é paradoxalmente... blábláblá.

Poderia escrever aqui um manual aplicado da magnífica Língua Portuguesa / Português, e logo de seguida teria que fazer também uma nova versão que estivesse de acordo com o acordo ortográfico que desdignifica o país! Passemos, no entanto, ao que interessa...



Ó povo Português

Navegando pelos mares
Os Portugueses se ousaram
Passando todos os patamares
Que para trás o empurraram

Fosse ou não por dinheiros
Até mesmo de tenra idade
Os nossos valentes marinheiros
Enfrentaram a tempestade

Numas barcas se montaram
Simples, frágeis e de pau
Mas todos os cabos dobraram
Com cruz vermelha em vela e nau

Não existe bandeira feita
Que seja a ainda mais vistosa
Porque a nossa foi eleita
P’ra ser a mais majestosa

Ó povo Português!
Que ainda hoje te orgulhas
Das descobertas que talvez
Possam voltar a ser futuras

Outras terras descobriste
Com orgulho Nacional
Mas ainda não te inquiriste
Sobre o teu próprio Portugal

Navegaste todas as águas
E ainda hoje sorris
Deixa então passar as mágoas
E redescobre o teu país!


Pedro II, o nato impressionista...
E não, não precisam de fazer uma análise textual acerca das figuras de estilo e intenções do autor, basta que leiam, já será o suficiente para que fiquem suficientemente sensibilizados para......... nada, diria eu. Mais mensagens impressionistas se seguirão a esta nas próximas semanas. Não percam o próximo episódio porque nós, também não!

domingo, 30 de novembro de 2008

Gota de água



Cada segundo que passou desde a minha última palavra
É como cada gota de água que cai nesta noite de chuva.
Nasce, fria e única, nos subúrbios da divindade,
Mas cedo morre ao encontro com a loucura.

Teve, é certo, a ambição de viajar,
Caindo do céu a pequena gota.
Que tudo fez para não se esbanjar
Defronte da mais ínfima árvore morta.



30/11/08

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ferida Sarada!


Histórias idênticas
que nos fazem recordar
feridas que tivemos
que ainda se encontram por sarar!


Causada no Verão,
Amenizada no Outono,
Mascarada no Inverno
Mas, com a Primavera, o abandono!


Abandonei a causa,
receando a ferida
para que um dia mais tarde
não torne a ganhar vida!


Procurando por uma cura,
alimento uma esperança,
que o ditado seja real e, que
depois da Tempestade venha a Bonança!


Bonança que se adivinha
ter metro e meio,
e uma beleza interior
que já há muito anseio!


Anseio não! Anseava!
Pois a Bonança já chegou,
adora o luar,
e essa ferida já sarou!

4-9-08

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Esfera Transparente - VIII


Mar de mentiras


Mentiras?
Todos temos.
Desilusões?
Por tê-las, fazemos.

A maior desilusão das nossas vidas?
Uma vez apenas.
Arrependemo-nos de ter acreditado?
Não uma vez, dezenas.

E os bons momentos?
Talvez ficarão.
E os maus?
Desaparecerão.

Porquê tudo isto?
Não sei.
Quererei saber?
Jamais conseguirei.

Qual a solução?
Seguir em frente.
E o passado?
Não mente.

E se o arrependimento matasse?
Já teria morrido há muito.
Morrer como se me afogasse?
Num mar de mentiras defunto.
03/09/08

Esfera Transparente - VII


Agosto meu


Nem sei como começar esta poesia que agora escrevo
Pois tudo é pouco para exprimir o que neste mês teve lugar.
Talvez comece pelo início dando grande relevo
Ao regresso daqueles terriveís ataques de falta de ar.

E ao sexto dia desta mesada, mais antigo me tornei.
Caíndo na ilusão de que a minha vida não mudaria,
Pois nada me fazia crer que, pelos vistos, errei
Ao desenhar a minha sina que cedo chegaria.

Na ânsia da chegada do mais alto dia doze,
Em pensamentos nítidos, meu futuro idealizava:
"Vou ser feliz sem que nada ouse
Destruir meu Amor por quem tudo dava."

Um beijo de paixão, uma palmadinha nas costas...
Nessa altura, estava longe de imaginar
O fim de um ano de mentiras impostas
Sob um véu que em tudo me soube enganar.

Uma alma, à primeira vista, serena,
Durante um intenso ano me fez crer
Que tudo o que fiz valeu a pena...
Estava tão cego que não consegui ver!

E hoje? Hoje, o que sinto, não sei.
Sei apenas que no meu olhar triste,
Mais lágrimas de dor não abrigarei.
Agosto meu, o quanto me traíste!
03/09/08

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Esfera Transparente - VI


Futuro, a quanto obrigas


Voltando a Mim e a tudo o que a minha existência implica,
Penso, agora, no que os próximos tempos me reservarão.
No meio de tudo isto, sei que a minha alma não abdica
Da sede de conhecimento que jamais virá em vão.

O ar que respiro é como tudo na minha vida,
Soprando, suave, num único e inequívoco sentido.
Sem margem para dúvidas, tracei minha sina,
Olhando para o além, sereno e enternecido.

Calmo, no meu canto, serei como sempre fui.
Sorrindo para o que a vida me soube oferecer
E da qual minha mente constantemente usufrui
De tantas experiências que a fizeram crescer.

Mas porquê pensar sobre o que não pode ser pensado?
Afinal (e salvo crença no ocultismo) não podemos prever
Os tempos que o futuro nos reserva neste planeta ofuscado
Por eternos dramas a que temos que sobreviver.

Um passo atrás seria voltar ao passado que findou.
Um passo à frente será olhar para o que não posso ver.
Uma certeza Eu tenho sobre o que passou:
Fui Eu mesmo, por muito que não queiram crer.

Não adianta pensar sobre o que virá,
Não adianta remoer sobre certas espigas,
Pois sei que a vida tudo me ensinará.
Oh meu futuro, a quanto obrigas!
04/08/08

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Esfera Transparente - V


Indefinidamente

Em noite - creio já cerrada - escrevo cansadamente
Sem que nada de real interesse me surja.
À branca luz desta lâmpada, desperto minha mente
Para que nenhuma palavra me fuja.

Lá fora, a firme escuridão, decerto, que alimenta
A fome negra de seus fiéis seguidores.
Não são mais que lobos que a Natureza afugenta,
Poupando a pele a pobres e inocentes pastores.

Estupefacto, pergunto-me porque será esta a primeira vez
Que em papel anão grafo o que me vem à cabeça.
Letra a letra, revelo, com pouca ou nula lucidez,
O medo de que este cérebro adormeça.

Até minhas mãos vejo já com pouca clareza.
É o sono que impõe sem dó nem piedade
Seu reinado de horas breves que com frieza,
Na horizontal me delega com felicidade.

Calma! Os meus olhos ainda não fecharam...
Longe, distante, espreito o sonho a caminhar
Rumo às instâncias que não acordaram
De um sono passado que as fez pensar.

Agora, sim... É o momento de dormir...
Mais um bocejar cansado de cansaço,
Sem que antes para a Lua eu vá sorrir.
Indefinidamente, adormeci em minha cama de tom baço.
21/07/08

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Esfera Transparente - IV


Nas brumas do horizonte

Que calor, este! Céus, que ousa impor-se este fogo fino
Em frescas águas deste mar de vida e harmonia!
Na vanguarda do Sol quente, surge o destino
Que intuitivamente nos guia, ofuscando a maresia!

Por de trás de densas nuvens ardentes, viverá o Superior?
Ser supremo que do alto dos céus vislumbra sua criação:
Esfera azul, mundo de felicidade e tristeza - nobre valor
De sua grandiosa obra em nome da união!

Tal misteriosa resposta me escapa, restando os momentos
Em que, de súbito, me questiono sobre a realidade divina,
Que entre sinais, mensagens e tantos outros apontamentos,
Se presencia aqui e ali, até na Baixa Pombalina!

Caminhos maus, caminhos bons, só os conhecem quem os segue.
À superfície da consciência, está o rumo que servirá
O ultrapasse dos obstáculos do mal que nos persegue.
Nas brumas do horizonte, vosso trilho se iluminará!
17/07/08

terça-feira, 8 de julho de 2008

Esfera Transparente - III


Alentejo

Incessantemente desejo o ar puro que em tom meigo me delicia.
Aquele cuja brisa clara em leve toque me envolve
No mais profundo verde de vida e harmonia,
Somente desvanecido por uma ínfima gota de água que chove.

Ao sabor do vento e por entre relva e árvores desmedidas
Vou desbravando os densos campos que em tudo se parecem
Com paraísos de culto e desejo de origens desconhecidas
Que só as almas mais íntegras merecem.

Em particular refúgio destas terras de campinos,
Sinto-me livre e de me sentir livre, livre me sinto,
Pois sei que entre mim e a Natureza, apenas três hinos
Se ouvem neste vivo e imenso labirinto.

Para mim, são como três estrelas brilhantes
Aquelas que me guiando para a vida, me confessam
Que o respirar de hoje não sendo igual ao de antes
Nos acalma os olhos, vendo as coisas como são.

Naturalmente falo da família, dos amigos, d'Ela...
Os que nem sempre estando diante de mim,
Estão sempre comigo como uma aguarela
Que dota de cor esta pintura sem fim!

Sempre que em tuas águas frescas eu não puder mergulhar
E que nem certa barragem me ilumine com sua nocturna escuridão
Doravante, a ti te peço, quem sabe ao luar:
Vem ter comigo Alentejo, terra de paixão!
08/07/08

terça-feira, 1 de julho de 2008

Esfera Transparente - II


Calor da noite


Na expressão desta minha face há um antes e um depois:
A restrita era dos livros, solitária, entre ilusões,
À qual se sucedera um sublime, mas puro instante a dois
Que em meu coração despertara um misto de sensações.

No quebrar de um quotidiano que dificilmente mudaria
O céu, seu imponente Sol ostentou, prevendo a chegada
De um verão quente, quiçá numa alegoria de magia
Entre o calor da noite e o frio da incerteza em Mim abrigada.

Por entre sereias e lagos desmedidos, deuses e nuvens ardentes,
Surgiu Aquela que nem no Olimpo, Afrodite questionara
Sobre a beleza de seus longos cabelos e lábios quentes
Que os seus conjugados humedeceram em plena ara.

E se nem seus olhos claros de verão deixam transparecer
O brilho e o encanto da água e do vento,
As estrelas respirarão mais uma vez ao anoitecer
A ternura reluzente transpirada naquele momento.

Mas não nos deixemos mover pela eterna crença
Que tal perfeição não existe nesta efémera vida
Pois a pior mentira é aquela desavença
Que nos diz que o Amor é coisa perdida.

Se por terras alentejanas a invisível seta não vos atingir,
Acreditem com fé neste mito de afectuosa união
Que tudo o que anseia é a sobeja verdade, sem mentir.
O calor da noite é sábio e sabe onde fica o coração.
01/07/08

Esfera Transparente - I

Livros

Tenho como bons os tempos em que Eu próprio
Fora somente a carne e o osso de uma personalidade
Que tão cegamente vislumbrando um conhecimento jamais abdicatório,
O sabia interpretar com incessante tranquilidade…

Dias e dias em que a manhã cedo raiava
E em que o Sol penetrando nas lamúrias ocultas dos estores
Uma mente silenciosamente adormecida, acordava,
Entre um espreguiçar e um bocejar, se semeavam suores.

Cruzando letras e números, muitos caminhos se ergueram.
A verdadeira sabedoria concretiza-se no desbravar desse labirinto
Cujos dons eruditos me permitem sentir como permaneceram
Estas cinzas de Mim que ainda hoje sussurram que não minto.

De olhos abertos ou fechados, é caminhando que se sobrevive.
Não importa como vejo, mas sim o que consigo ver:
A família sempre presente mesmo quando algum declive
Ousa estender-se nesta estrada onde o tudo que procuro é viver.

Tudo começa por ocupar uma página branca e lisa.
Lucidamente, vou construindo essas linhas que dotam de sentido
Os livros cujas palavras se emaranham na história que atiça
Os sedentos pensamentos deste meu cérebro acendido.

Dediquei-me aos livros e a eles constantemente me dedico,
Procurando a certeza na Ciência e a razão no Ser.
A mente nem sempre basta para alcançar o pico,
Pois aquilo que nos resta é saber ler.

A vida não é mais que um livro com certas páginas que não entendo
E que timidamente se amontoam, tornando-se algumas mais pretas,
Condensando em si a tenacidade de uma existência de que não me arrependo
E da qual me orgulho e vejo, sem pestanejar, que fui Eu a escolher as letras.

Sejamos sinceros para com os nossos puros e doces sentidos.
A vida está no céu, no Homem e nos carnívoros
Que vêem a erva crescer na terra, soltando seus últimos ganidos.
Afinal, há vida para além dos livros.
01/07/08

quinta-feira, 12 de junho de 2008

E depois do dez...

No começo foram estrelas,
Hoje, são dez os meses.
É uma entre tantas, aquelas,
A que me desperta algo nas profundezas.

Sorri para o Sol,
Olha para o céu.
Que o futuro seja mais ou menos
O sonho que traçamos em nossos desenhos.

12/06/08

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Quebra do doze

Cedo a impetuosa chama nasce,
Tarde ou nunca desvanece,
Até que um dia me ache,
Capaz de seguir outra prece.

Longe de tudo, aqui pensava:
Nem isto pode mudar.
Teve lugar o que não aguardava,
As palavras que ousam pairar.

Louca dor dentro de mim,
Tumultuoso silêncio e lágrimas.
No olhar, límpido brilho sem fim,
Nada que aquiete as mágoas.

Ontem, hoje e agora,
Mil e uma coisas para trás.
Oculto algo que me devora,
Coisas boas e más?

Mas que doze será este?
Aspiro a doce e amarga resposta.
Remanescente tranquilidade deste,
Inabdicável a devoção imposta
A um sentimento sem encosta.

10/01/08

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Isto...

É isto.
Constantemente isto.
Já tenho saudades de aquilo ou de aqueloutro,
Mas é sempre isto.

30/10/07

Oh meu Deus... Estarei eu a seguir as pisadas do Pessoa? NÃO!