domingo, 19 de abril de 2009

Tentativa de conversa

Do miúdo para o poeta.
Zeca: João, concordas que noite é sinónimo de reflexão?

João: Dizer que concordo com a afirmação sem me justificar à luz daquilo que é a minha experiência pessoal, pouco ou nada significaria em termos de objectividade porque, afinal, o que somos hoje em muito se deve ao que fomos ontem. Muitos poderão considerar que não existem momentos preferenciais em que a nossa mente, subitamente, levanta voo e se debruça sobre pensamentos e sonhos - no fundo, aquilo que nos marca e que queremos alcançar. Independentemente do espaço e do tempo, a noite representa simbolicamente aquilo que, num campo criativo, significará o mistério, a ocultação de uma verdade que se pretende descobrir. É, neste ponto, que a noite significa reflexão. Talvez pela carga simbólica que o ambiente nocturno transmita ou por pura necessidade de um intervalo para pensar sobre o que nos atormenta ou, por outro lado, nos faz despertar para a vida, a verdade é que a noite, para mim, pode ser Tudo. Sou feito de sonhos e pensamentos. Isto é Tudo.
Talvez isto seja o início de uma rúbrica interessante ou talvez não...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Tributo à vida

Não é preciso entender minimamente inglês para perceber que não há impossíveis.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Porque é que...?

(...)

Porque é que tudo me acontece contigo?
Porque é que fico alucinado?
Porque é que fico puto à beira do perigo,
Se sou maior e vacinado?

(...)

«Tudo Contigo» - João Gil

sexta-feira, 20 de março de 2009

"Livro do Desassossego"

"(...) Uns de nós estagnaram na conquista alvar do quotidiano, reles e baixos buscando o pão de cada dia, e querendo obtê-lo sem o trabalho sentido, sem a consciência do esforço, sem a nobreza do conseguimento."

"Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, pois, não sendo mais, nem querendo ser mais, que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espectáculo que posso. Assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, palco falso, cenário antigo, sonho criado entre jogos de luzes brandas e músicas invisíveis."

Bernardo Soares

Juro que não sei que mais poderei dizer sobre este Senhor. Palavras não chegam. Até porque chamar palavras às simples e banais letras que possa apontar sobre o que li hoje no Livro do Desassossego não poderão, em momento algum, ser postas lado a lado com as Palavras de um semi-Pessoano.

Pensamentos fragmentados, de expressão complexa, simples ideia, invadiram, de rompante, a minha cabeça.

Mas criemos com ousadia. Ousemos agora esboçar, por hipótese, que o mundo pode não ser, por instantes, aquilo que num Sonho ideal seria o oásis da vida, da paz sem sangue, da felicidade sem limites, da depressão invisível, da tristeza efémera. De forma fácil e estupidamente infame, chegamos à conclusão que há, porém, quem exista simplesmente por existir e encontre na existência, no ser, a sua única forma de assumir presença, esteja onde estiver.

Em tempo e espaço definido pelos nossos contornos, bastarão dois pés assentes no chão para viver?

Não. Viver é também existir. Existir não é viver.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Horizonte

O tempo começa a fugir-me da mão novamente. Tento agarrá-lo de punhos cerrados ou deixo ir-me na onda do "vou fazendo"? Nunca foi nem será essa a minha pauta. Até porque o que hoje tenho em tudo se deve à ambição do "vou fazer agora e vou conseguir fazê-lo". Pergunto-me, sim, se conseguirei alcançar tudo aquilo que quero já e agora. Quando? Onde? Como? São perguntas cujas respostas desconheço.
O horizonte pode ser realmente uma linha muito ténue entre aquilo que podemos e queremos, como também pode ser o penoso inferno do que desejamos, mas podendo consegui-lo, não o tentamos.
A cabeça em tom grave nos grita de aflição, receando que gestos e atitudes não reflictam as suas ordens, os seus impulsos. Os pensamentos ganham forma e cor, nítidos como água que goteja nos nossos olhos que querendo sentir tudo o que a nossa imaginação cria, sentem somente o que a visão lhes transmite. Cá dentro, um eco de palavras soletradas por vozes distantes segreda-nos perto aos ouvidos do sensível. Ao pensarmos, ganhamos asas nesta viagem que é fechar os olhos e voar, voar... Damos por nós e pousámos no céu, olhando como seria a nossa sina se em vez de estáticos, partíssemos à descoberta do que não conhecemos e do que ainda não alcançámos. O sonho tudo isto nos pode conceder, mas existe algo que Ele não consegue: ser real. Se não formos nós, ninguém será. Coragem? Carácter? Sorte? Tudo isso é pouco e vago quando não existe o impetuoso Querer de desejo, mas o banal querer de ganância.
É este o nosso Ser.
Somos feitos pelo que queremos, não só pelo que conseguimos.
E eu quero conseguir.

domingo, 8 de março de 2009

O post que começa pela palavra "não"

Não posto aqui há muito tempo, e creio que a melhor palavra para retomar a minha actividade enquanto Mestre Impressionista seria o vocábulo não.

Será que alguém se apercebe da frequência com que o povo português emprega esta pequena palavra de 3 letras apenas acompanhada por um sempre amigável til, no meio das suas frases quotidianas? A negatividade deste povo é incrível, roçando mesmo o exagero...

Vejamos o seguinte caso: estão dois amigos, um deles encontra-se a comer bolachas, daquela marca que não vou referir, mas que começa por "O" e acaba em "O" com um "R" e um "E" pelo meio, e entretanto, o outro, que não se encontra a comer essas tais bolachas, mas apenas a observar o outro, pergunta "Vais me arranjar um pitz dessas bolachas, não vais?" (reparem que eu pus um sempre animado "pitz", para dar alguma jovialidade à conversa).

E depois há sempre o caso do meu instrutor de código que no final de cada frase, faz questão de fechar com chave de ouro, usando a expressão "não é?", o que acaba por ser um excelente modo de prender a atenção da plateia... até ao ponto em que cada vez que ouvimos estas duas palavras, o som que estas produzem assemelha-se aquele que um porco emite aquando da sua matança.

Para terminar, digo-vos desde já, que este post foi fraquinho, e há que dizer isto com frontalidade, mas antes isto que nada, não é?

segunda-feira, 2 de março de 2009

No Line on the Horizon


Como eu gosto de me armar em espertinho (tem dias, vá...) e de ter as grandes novidades em primeira mão, reservei este álbum há mais de dois meses.

Música e imagem permaneceram na sombra por cinco anos... Mas surgiram, melhor que nunca.

Para quê apresentar quem dispensa apresentações? São eles. U2.

No Line on the Horizon consegue trazer-nos, de resto como todos os outros álbuns destes masters do Rock, uma nova visão do que é o horizonte musical de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Muller Jr. .

Mais do que um crescendo progressivo à medida que vão soando as diversas faixas, é esta obra também um acumular de mensagens e pensamentos, pintados sob a forma de palavras nas novas onze letras.

Estou a ter o previlégio de o ouvir no dia do seu lançamento e não me arrependo dos dias e noites que esperei para o ter aqui, nas minhas mãos.

Afinal, pode não haver linha no horizonte, mas há sempre esperança e vida para além disso.

Atrevam-se.


(...)


Only love, only love can leave such a mark

But only love, only love unites our hearts


Justified till we die,

you and I will magnify

The Magnificent

Magnificent

Magnificent


«Magnificient»




(...)


You don’t know how beautiful

You don’t know how beautiful you are

No you don’t know how beautiful

You don’t know, and you don’t get it, do you?

You don’t know how beautiful you are

«Get on Your Boots»

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Em busca da Neve


Melo, Gouveia, Serra da Estrela.

Foi este o palco dos meus últimos e frios dias de paródia carnavalesca.

Paródia que se aguçou com o regresso do meu fascínio de infância por uma massa branca e pouco densa de água que dá pelo nome de neve.







Deu para tudo.




Desde escaladas, a verdadeiros safaris pelos indefinidos caminhos de terra batida, envolvidos nas paisagens mais fascinantes que a Serra nos sabe oferecer.






Apenas um bocadinho do que eu vivi nestes FANTÁSTICOS dias.






domingo, 15 de fevereiro de 2009

Esfera Transparente - IX



O pouco que me falta


Sei que um pouco é mais que nada
E que algum é mais que um pouco,
Mas será este pouco de nada
O que me falta para não ser louco?


Ou será este pouco de nada
O mísero pedaço de vida
Que me falta na caminhada

Ao céu da felicidade inatingida?

Sei que o céu é muito mais
Que o pouco que me falta.
Mas será esse céu um dos tais
Que nos leva à ribalta?

Ou será o pouco de nada
Afinal um muito de pouco
Que tornará adoçada
Esta minha cabeça de coco?

Sei que o pouco que não tenho
O tudo para mim significa.
Mas bastará simples engenho
Para vencer sua genica?

Ou estará na conquista
De incerta deusa peralta
Aquilo que me dista
Deste pouco que me falta?



20/02/09

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Eu estou aqui (já dizia o Abrunhosa)

Just to say: I'm still alive. Don't you forget about me. I will return.


Título em português seguido de três orações coordenadas em inglês. Ou serão quatro por introdução dos dois pontos como meio divisor do segmento definido até ao ponto final em duas orações distintas?


A dúvida ficará no ar. Deixá-la-ei para tão vãs cabeças do Ensino Secundário...


Porém, tal grafo bilingue resultará de súbita dilatação da minha veia poliglota? Creio que não.


Ou por outro lado, será consequência do pouco tempo que me passa entre mãos aliado a uma possível confusão mental susceptível de originar cruzamento linguístico derivado de actividade intelectual intensiva? Talvez.


Parvoíce absoluta? Caminha para anos.


Saudades de respirar? Nem imaginam quantas...


sábado, 10 de janeiro de 2009

Há quanto tempo!



Primeira mensagem de 2009. Primeiras palavras para todos os que aqui moram e nos visitam de boa fé e com um sorriso estampado nas suas faces. Bem, nem todos... Ainda assim vos desejo um ano repleto de sucessos em todos os campos da vossa vida.

Posto isto, é altura de revelar os meus próprios desejos para o presente ano.

Ora bem, aqui vão eles:

1. Vencer o primeiro prémio do Euromilhões.

2. Que o Sporting seja campeão (?).

3. Na universidade, passar a, pelo menos, metade das cadeiras (?!).

4. Continuar com este humorzinho de trazer por casa, nomeadamente junto dos meus colegas e amigos que tanto admiro.

5. Cultivar o meu sarcasmo literário e a minha ironia, como fiz até aqui.

6. Voltar a ter tempo para pôr a minha escrita em dia e pegar na minha menina para soltar uns belos de uns acordes.

7. Ter mais tempo para a família que é a base da nossa existência.

8. Ver crescer o meu grau de realização pessoal, a todos os niveís.

9. Aproveitar a vida, mais do que tenho feito até agora.

10. Tudo o que vier, vem por acréscimo.

P.S.: Ferragudo é «grande», mas as pessoas com as quais eu passei quatro noites, ainda são maiores. *

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Querido Pai Natal, eu quero...


Eis que chegámos a mais um Natal. Mais um jantar de família. Mais uma troca de presentes. Mais uma festa, sobretudo da alegria.

E chegámos mais recheados... Como certamente devem ter reparado, temos há pouco tempo mais um indivíduo que diz que impressiona. Vamos lá ver se impressiona tanto na escrita como o faz (e em bom tom) ali para os lados da Engenharia Civil na Alameda D. Afonso Henriques. Desejo-te a melhor sorte colega, nesta grande aventura que é manter os padrões do «impressionismo» literário neste canto.


Um Feliz Natal.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Eu, Camões, Portugal e as Gentes

Ok. Primeiro que tudo, gostaria de me apresentar minimamente, tal e qual como um bom impressionista deve fazer. Sou portanto Pedro II, o nato impressionista...
Sou novo aqui, mas vim para ficar e prometo deliciar-vos com "updates" impressionistas de qualidade 7 estrelas tipo Burj al Arab Hotel!

Como primeira mensagem importante, gostaria de vos deixar aqui a reflectir um bocadinho sobre o país em que vivemos...
E tudo isto a partir de quê? Sim! De uma versão simplex dos Lusíadas modernos. Trata-se então de uma divagação que poderia ter sido feita por qualquer outro Português que se preocupe minimamente com o estado do país, isto é, um fragmento quase objectivamente nulo.

Metacognitivamente, torna-se visível que a nível semântico e poético, a dimensão dos Lusíadas é paradoxalmente... blábláblá.

Poderia escrever aqui um manual aplicado da magnífica Língua Portuguesa / Português, e logo de seguida teria que fazer também uma nova versão que estivesse de acordo com o acordo ortográfico que desdignifica o país! Passemos, no entanto, ao que interessa...



Ó povo Português

Navegando pelos mares
Os Portugueses se ousaram
Passando todos os patamares
Que para trás o empurraram

Fosse ou não por dinheiros
Até mesmo de tenra idade
Os nossos valentes marinheiros
Enfrentaram a tempestade

Numas barcas se montaram
Simples, frágeis e de pau
Mas todos os cabos dobraram
Com cruz vermelha em vela e nau

Não existe bandeira feita
Que seja a ainda mais vistosa
Porque a nossa foi eleita
P’ra ser a mais majestosa

Ó povo Português!
Que ainda hoje te orgulhas
Das descobertas que talvez
Possam voltar a ser futuras

Outras terras descobriste
Com orgulho Nacional
Mas ainda não te inquiriste
Sobre o teu próprio Portugal

Navegaste todas as águas
E ainda hoje sorris
Deixa então passar as mágoas
E redescobre o teu país!


Pedro II, o nato impressionista...
E não, não precisam de fazer uma análise textual acerca das figuras de estilo e intenções do autor, basta que leiam, já será o suficiente para que fiquem suficientemente sensibilizados para......... nada, diria eu. Mais mensagens impressionistas se seguirão a esta nas próximas semanas. Não percam o próximo episódio porque nós, também não!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Cuidado com os futuros advogados...

Bem enfim cá estou eu meus amigos (amigos quer dizer, não vos conheço) para vos avisar em relação aos advogados que escolherem no futuro (não estou a dizer que sejam criminosos). Pois, este personagem denominado Diogo Reis Costa é o tipo mais ingénuo de sempre. Sim, ele quer ser advogado mas acredita em tudo. Eu e uns amigos estamos a fazer umas partidas de mau gosto a ele. Ele acredita que a casa de um amigo meu está assombrada quando na verdade era eu que estava a fazer mover objectos e isso. Isto chegou ao ponto de ele pensar que ficamos possuidos e que fala com o espirito por telefone e pelo MSN. Por amor da santa... Ninguém acreditaria nisto, mas ele é parvo ao ponto de acreditar em tudo o que façamos... Até o gravámos a rezar uns quantos avé marias. Podem dizer que somos maus, mas quando se faz algo do género é dificil parar. E assim me despeço mais uma vez dizendo para terem cuidado com quem vos representa no futuro. Que não vos calhe um Diogo Zé Boneco.
Até á próxima.

domingo, 30 de novembro de 2008

Gota de água



Cada segundo que passou desde a minha última palavra
É como cada gota de água que cai nesta noite de chuva.
Nasce, fria e única, nos subúrbios da divindade,
Mas cedo morre ao encontro com a loucura.

Teve, é certo, a ambição de viajar,
Caindo do céu a pequena gota.
Que tudo fez para não se esbanjar
Defronte da mais ínfima árvore morta.



30/11/08