sexta-feira, 29 de agosto de 2008

E vão duas primaveras...


Mais um dia 29 de Agosto. Mais um verão que, a passos largos, vai queimando os seus últimos cartuchos. Conto duas primaveras desde o ano de 2006 em que, conjuntamente com outros dois impressionistas, criei este blog, surgindo como um espaço de reflexão que acolheu os nossos pensamentos, desabafos ou meras exortações. Agora, olho para trás e vejo que muita coisa mudou. Muita mesmo. Contudo, o blog, esse, continua intemporal e imutável no seu conteúdo, tendo sido alvo de várias actualizações no que toca ao seu aspecto formal. E assim permanecerá, seguindo as motivações que lhe estiveram associadas aquando da sua origem: a produção literária e a divulgação cibernética de pensamentos de pessoas singulares, entre tantas outras, nesta sociedade internetualizada cada vez mais complexa e poderosa.


E assim continuemos.


Parabéns a todos nós.


João, o poeta

Pedro, o mestre

Carvalhão, o desonesto

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Não, não são versos...

Em pleno Agosto e a dois dias de me tornar Homem (não que não o seja, mas à luz da formalidade, só agora me responsabilizarei pelos meus actos...), creio não ser inoportuno voltar a escrever em texto corrido, visto que nos tempos últimos, tenho vindo a explorar outra vertente não menos importante da escrita literária - a poesia.
Considero ainda de extrema importância, redigir certo esclarecimento: em momento algum deixei de escrever prosa, até porque, em intimidade se sabe, que sempre me senti mais seguro a escrever neste registo. Contudo, surgiu-me, de súbito, um certo impulso psíquico para escrever em verso, que alarga, por completo, toda a minha visão de como as palavras se emaranham num todo... É escrever sem pensar quando irei terminar, representando por letras, aquilo que do raciocínio me chega no momento.
Despeço-me, adiantando que certamente continuarei a dar sequência à saga de poemas que criei.
Até sempre.

Esfera Transparente - VI


Futuro, a quanto obrigas


Voltando a Mim e a tudo o que a minha existência implica,
Penso, agora, no que os próximos tempos me reservarão.
No meio de tudo isto, sei que a minha alma não abdica
Da sede de conhecimento que jamais virá em vão.

O ar que respiro é como tudo na minha vida,
Soprando, suave, num único e inequívoco sentido.
Sem margem para dúvidas, tracei minha sina,
Olhando para o além, sereno e enternecido.

Calmo, no meu canto, serei como sempre fui.
Sorrindo para o que a vida me soube oferecer
E da qual minha mente constantemente usufrui
De tantas experiências que a fizeram crescer.

Mas porquê pensar sobre o que não pode ser pensado?
Afinal (e salvo crença no ocultismo) não podemos prever
Os tempos que o futuro nos reserva neste planeta ofuscado
Por eternos dramas a que temos que sobreviver.

Um passo atrás seria voltar ao passado que findou.
Um passo à frente será olhar para o que não posso ver.
Uma certeza Eu tenho sobre o que passou:
Fui Eu mesmo, por muito que não queiram crer.

Não adianta pensar sobre o que virá,
Não adianta remoer sobre certas espigas,
Pois sei que a vida tudo me ensinará.
Oh meu futuro, a quanto obrigas!
04/08/08

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Esfera Transparente - V


Indefinidamente

Em noite - creio já cerrada - escrevo cansadamente
Sem que nada de real interesse me surja.
À branca luz desta lâmpada, desperto minha mente
Para que nenhuma palavra me fuja.

Lá fora, a firme escuridão, decerto, que alimenta
A fome negra de seus fiéis seguidores.
Não são mais que lobos que a Natureza afugenta,
Poupando a pele a pobres e inocentes pastores.

Estupefacto, pergunto-me porque será esta a primeira vez
Que em papel anão grafo o que me vem à cabeça.
Letra a letra, revelo, com pouca ou nula lucidez,
O medo de que este cérebro adormeça.

Até minhas mãos vejo já com pouca clareza.
É o sono que impõe sem dó nem piedade
Seu reinado de horas breves que com frieza,
Na horizontal me delega com felicidade.

Calma! Os meus olhos ainda não fecharam...
Longe, distante, espreito o sonho a caminhar
Rumo às instâncias que não acordaram
De um sono passado que as fez pensar.

Agora, sim... É o momento de dormir...
Mais um bocejar cansado de cansaço,
Sem que antes para a Lua eu vá sorrir.
Indefinidamente, adormeci em minha cama de tom baço.
21/07/08

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Esfera Transparente - IV


Nas brumas do horizonte

Que calor, este! Céus, que ousa impor-se este fogo fino
Em frescas águas deste mar de vida e harmonia!
Na vanguarda do Sol quente, surge o destino
Que intuitivamente nos guia, ofuscando a maresia!

Por de trás de densas nuvens ardentes, viverá o Superior?
Ser supremo que do alto dos céus vislumbra sua criação:
Esfera azul, mundo de felicidade e tristeza - nobre valor
De sua grandiosa obra em nome da união!

Tal misteriosa resposta me escapa, restando os momentos
Em que, de súbito, me questiono sobre a realidade divina,
Que entre sinais, mensagens e tantos outros apontamentos,
Se presencia aqui e ali, até na Baixa Pombalina!

Caminhos maus, caminhos bons, só os conhecem quem os segue.
À superfície da consciência, está o rumo que servirá
O ultrapasse dos obstáculos do mal que nos persegue.
Nas brumas do horizonte, vosso trilho se iluminará!
17/07/08

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Um belo começo de férias

Pois ora bem, não sei se foi castigo de uma entidade superior pela minha desonestidade ou não, só sei que estou com varicela. Sim, isso mesmo, varicela. Não Sofia, não leste mal, v-a-r-i-c-e-l-a. Pois é, não tive esta doença comichosa quando era criança e agora estou com ela. Comecei por ter umas borbulhas estranhas na cara e cabeça. Uma manhã, daquelas normais estão a ver, em que uma pessoa come cereais e lê o jornal desportivo e pergunta à patroa o que é o almoço, fui à casa de banho e olho-me ao espelho e fiquei mais chocado do que o costume... Tinha a cara completamente inchada e estava cheio de borbulhas... Depois foi um médico visitar-me e confirmou as minhas suspeitas. Agora um dos tratamentos é por um creme cor de rosa no corpo e cabeça, ficando assim uma camada rosa no meu corpo e uma espécie de madeixas rosa no cabelo... Dispensava esta parte sinceramente. Não posso apanhar sol, tipo vampiro, nem posso-me coçar. Enfim, esta vida hein... Bem fico-me por aqui meus caros, espero que já tenham tido varicela na infância, porque se ainda não tiveram, é provável que venham a ter, e quanto mais velho se for, pior é.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Esfera Transparente - III


Alentejo

Incessantemente desejo o ar puro que em tom meigo me delicia.
Aquele cuja brisa clara em leve toque me envolve
No mais profundo verde de vida e harmonia,
Somente desvanecido por uma ínfima gota de água que chove.

Ao sabor do vento e por entre relva e árvores desmedidas
Vou desbravando os densos campos que em tudo se parecem
Com paraísos de culto e desejo de origens desconhecidas
Que só as almas mais íntegras merecem.

Em particular refúgio destas terras de campinos,
Sinto-me livre e de me sentir livre, livre me sinto,
Pois sei que entre mim e a Natureza, apenas três hinos
Se ouvem neste vivo e imenso labirinto.

Para mim, são como três estrelas brilhantes
Aquelas que me guiando para a vida, me confessam
Que o respirar de hoje não sendo igual ao de antes
Nos acalma os olhos, vendo as coisas como são.

Naturalmente falo da família, dos amigos, d'Ela...
Os que nem sempre estando diante de mim,
Estão sempre comigo como uma aguarela
Que dota de cor esta pintura sem fim!

Sempre que em tuas águas frescas eu não puder mergulhar
E que nem certa barragem me ilumine com sua nocturna escuridão
Doravante, a ti te peço, quem sabe ao luar:
Vem ter comigo Alentejo, terra de paixão!
08/07/08

terça-feira, 1 de julho de 2008

Esfera Transparente - II


Calor da noite


Na expressão desta minha face há um antes e um depois:
A restrita era dos livros, solitária, entre ilusões,
À qual se sucedera um sublime, mas puro instante a dois
Que em meu coração despertara um misto de sensações.

No quebrar de um quotidiano que dificilmente mudaria
O céu, seu imponente Sol ostentou, prevendo a chegada
De um verão quente, quiçá numa alegoria de magia
Entre o calor da noite e o frio da incerteza em Mim abrigada.

Por entre sereias e lagos desmedidos, deuses e nuvens ardentes,
Surgiu Aquela que nem no Olimpo, Afrodite questionara
Sobre a beleza de seus longos cabelos e lábios quentes
Que os seus conjugados humedeceram em plena ara.

E se nem seus olhos claros de verão deixam transparecer
O brilho e o encanto da água e do vento,
As estrelas respirarão mais uma vez ao anoitecer
A ternura reluzente transpirada naquele momento.

Mas não nos deixemos mover pela eterna crença
Que tal perfeição não existe nesta efémera vida
Pois a pior mentira é aquela desavença
Que nos diz que o Amor é coisa perdida.

Se por terras alentejanas a invisível seta não vos atingir,
Acreditem com fé neste mito de afectuosa união
Que tudo o que anseia é a sobeja verdade, sem mentir.
O calor da noite é sábio e sabe onde fica o coração.
01/07/08

Esfera Transparente - I

Livros

Tenho como bons os tempos em que Eu próprio
Fora somente a carne e o osso de uma personalidade
Que tão cegamente vislumbrando um conhecimento jamais abdicatório,
O sabia interpretar com incessante tranquilidade…

Dias e dias em que a manhã cedo raiava
E em que o Sol penetrando nas lamúrias ocultas dos estores
Uma mente silenciosamente adormecida, acordava,
Entre um espreguiçar e um bocejar, se semeavam suores.

Cruzando letras e números, muitos caminhos se ergueram.
A verdadeira sabedoria concretiza-se no desbravar desse labirinto
Cujos dons eruditos me permitem sentir como permaneceram
Estas cinzas de Mim que ainda hoje sussurram que não minto.

De olhos abertos ou fechados, é caminhando que se sobrevive.
Não importa como vejo, mas sim o que consigo ver:
A família sempre presente mesmo quando algum declive
Ousa estender-se nesta estrada onde o tudo que procuro é viver.

Tudo começa por ocupar uma página branca e lisa.
Lucidamente, vou construindo essas linhas que dotam de sentido
Os livros cujas palavras se emaranham na história que atiça
Os sedentos pensamentos deste meu cérebro acendido.

Dediquei-me aos livros e a eles constantemente me dedico,
Procurando a certeza na Ciência e a razão no Ser.
A mente nem sempre basta para alcançar o pico,
Pois aquilo que nos resta é saber ler.

A vida não é mais que um livro com certas páginas que não entendo
E que timidamente se amontoam, tornando-se algumas mais pretas,
Condensando em si a tenacidade de uma existência de que não me arrependo
E da qual me orgulho e vejo, sem pestanejar, que fui Eu a escolher as letras.

Sejamos sinceros para com os nossos puros e doces sentidos.
A vida está no céu, no Homem e nos carnívoros
Que vêem a erva crescer na terra, soltando seus últimos ganidos.
Afinal, há vida para além dos livros.
01/07/08

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Sábado produtivo

Bem, sábado foi um dia para recordar... Comecei por saber que passei no exame de Geografia A do 11º... Toma lá Jaquizinho que já vais para Machu Pichu a pensar duas vezes no teu cartão de videoclube... Mas pronto... Depois fui para a praia... Foi muito giro e tal mas apanhei um escaldão que vai lá vai... Pareço um camarão assado com manteiga... Enfim. O pior foi a festa da Igreja a que fui, aquilo tinha um mau ambiente que vai lá vai, era só velhos malucos a dançarem, haviam os malucos que não diziam nada de jeito (estou nesse grupo) e haviam os chungas. Bem, quase andei á pancada com um deles, tinha logo de ser um ex-campeão de kickboxe, mas tambem não há de ser nada ora não ?... Tudo piorou quando fui para o sitio pior frequentado cá da zona, ia havendo pancada da grossa e esfaqueamento... Bem, só faltava passarem a musica Gangsta's Paradise, porque realmente aquilo era só gangsters, ou imitação barata vá. Devem-se perguntar porque raios estou eu a escrever este episódio de sábado na segunda, bem amigos, não tive tempo entretanto, por isso assim me despeço. Até qualquer dia sim ?... Tudo de bom! (Ah grande Oliveirinha que anda sempre de óculos escuros).

sábado, 21 de junho de 2008

Porquê?


Porque raio seremos nós o País do «Quase»?

quinta-feira, 12 de junho de 2008

E depois do dez...

No começo foram estrelas,
Hoje, são dez os meses.
É uma entre tantas, aquelas,
A que me desperta algo nas profundezas.

Sorri para o Sol,
Olha para o céu.
Que o futuro seja mais ou menos
O sonho que traçamos em nossos desenhos.

12/06/08

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Impressões em série


Sei o que pensam. Sei o que estão a pensar. Sei o que paira em tão vãs cabeças neste momento. Nos últimos tempos, tem sido ínfimo o tempo para respirar (muito menos para escrever), pelo que me vejo na obrigação de fundamentar esta lacuna.
E porque os últimos dias têm sido agitados, faço questão de enumerar alguns dos episódios mais marcantes da minha vida social, cujo nível é somente comparável ao de personalidades tão notáveis como o Albano (O da tasca), o Armindo (O do talho), o Acácio (O da drogaria), o Albertino (O dos estores), e o Anacleto (o aspirador de "farinha" nas horas vagas). Bem... Então, cá vamos:
1. 7 de Junho - Nervosismo, ansiedade e esperança movida pela ambição de ver o caneco viajar para Portugal. É, o Euro começou (e bem, para nós). É certo que não foi fácil espetar com duas chamuças nas caras de tamboril (mal cozidas, diga-se) dos turcos. Porém, sei também que o espírito destemido dos Portugueses, tão expressivamente glorificado em obras como «Mensagem» de Fernando Pessoa e em «Os Lusíadas» de Luís de Camões, conseguira ser tudo, o tudo em que alguns momentos faltara (nomeadamente, nas quatro bolas atiradas aos postes...). Com isto, afirmo: sou Português.
2. 9 de Junho - O início do fim da minha vida no Ensino Secundário. O começo de um estudo, pensando nos exames nacionais, estando a primeira prova, a de Português, diante dos meus olhos dentro de pouco menos de uma semana. Ao final do dia, dou um pulo para a linha (a de Cascais, é claro). À noite, descalço, deambulo ao ritmo dela (e apenas dela...), numa euforia desmedida, sem origem nem destino, pela praia de Carcavelos. Bob Sinclar que, curiosidade vos adianto, é de origem francesa e é o pseudónimo escolhido pelo DJ Christophe Le Friant, atracara em solo luso para dar um concerto, ao vivo, até às quatro da madrugada, ventosa e suavemente quente, que antecedera o nascer do Sol. Segundo ele, Everybody is free e foi precisamente esse o espírito transpirado pelo ambiente composto pelas quase cinquenta mil pessoas que assitiram a enúmeras músicas House.
3. 11 de Junho - Cedo marcámos, mas também cedo nos apercebemos que os Checos não são pêra tão doce como os Turcos. Sendo justo o destaque atribuído aos portugueses pelo alcance de mais uma vitória, desta feita frente à República Checa, há também que felicitar fervorosamente dois "portugueses" que não poderiam ser referenciados de outro modo se não entre aspas pelo travo algo baiano que apresentam nos seus bilhetes de identidade... No entanto, há que ter esperança nesta selecção, supostamente, nacional, e pode ser que a taça seja "cedida" a Lisboa, para alegre contentamento de dez milhões de almas pasmadas com o protesto dos camionistas, reflectido nas "curtas" filas de espera nas bombas de gasolina...

Neste mundo...

Neste mundo onde Deus criou o infinito... Neste mundo onde Deus criou o Homem, algo mancha a natureza de uma cor que só uns vêem, uma incógnita que faz com que a equação da vida não tenha solução, um drama que deita por terra a matemática das somas e das subtracções, algo que faz com que a felicidade seja relativa para uns e quase inatingível para tantos outros.

Neste mundo em que a Ciência progride a olhos vistos e em que a demonstração de novas teorias rompe com crenças antigas, também a injustiça quebra a harmonia da vida em sociedade que todos ambicionamos mais próspera e igual. Lágrimas de sofrimento contínuo na tela do tempo, sem esperança e que nem a capacidade de sonhar as apaga.

Agora, no futuro, a pobreza é e será sempre o maior flagelo do Homem, de todos nós! Neste mundo em que vivemos, o que uns possuem e consideram pouco, não é nada comparado com o que outros, somente no sonho, conseguem alcançar. O brilho dos olhos de uma criança faminta não passa impune ao olhar da pessoa comum. A diferença está no significado desse olhar… Seguir em frente ou estender a mão?
Texto elaborado no âmbito do Projecto MTM - Muda o Teu Mundo .

sábado, 17 de maio de 2008

"Por mão própria"

(...)
Peço
A minha demissão
Vida que entrego em mão
Sem ter lacre nem selo
Sem sê-lo nem parecê-lo
E não me vendo

Que o amor não tem preço
Por mão própria me rendo
E recomeço


«Por mão própria» - Luís Represas